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Ter uma filha se associa a mais compromisso do pai com a mãe da criança, aponta estudo

Três estudos com quase 1.700 pais e mães nos EUA associam ter uma filha a mais apego e compromisso do pai com a mãe da criança. Os porquês ainda são hipóteses.

Pesquisadores do Center for Women in Business, da Rutgers Business School (Estados Unidos), relatam que homens que têm filhas apresentam níveis mais altos de apego, confiança, compromisso e intimidade com a mãe da criança do que homens que têm filhos. O trabalho foi publicado no periódico Personality and Individual Differences e reúne três levantamentos com quase 1.700 pais e mães norte-americanos.

No primeiro, pais de meninas e de meninos com menos de 18 anos avaliaram a qualidade da relação com a mãe da criança. No segundo, a pergunta se inverteu: as mães avaliaram o comportamento do pai. O terceiro recrutou casais ainda no último trimestre da gestação, para descartar que o padrão se explicasse por visões prévias sobre relacionamento e gênero.

A autora principal, Krystal Duarte, ressalta que os pais de meninas não são necessariamente pais melhores: eles são percebidos, por si mesmos e pela mãe da criança, como mais presentes na relação com a parceira. O achado, portanto, diz respeito à conjugalidade, o vínculo do pai com a parceira, e não ao exercício da parentalidade.

Os autores discutem duas explicações possíveis. Uma é que o pai, pela forma como trata a mãe, ofereceria à filha um primeiro modelo do que esperar de um parceiro. A outra envolve mudanças hormonais associadas à paternidade, que favoreceriam o cuidado e o vínculo de casal. Por ora, são hipóteses: os estudos mostram uma associação, não o que a produz.

Para a clínica de casal, o dado vale mais como pergunta do que como regra. A chegada de um filho reorganiza o subsistema conjugal, e o sexo da criança aparece aqui como uma das variáveis possíveis dessa reorganização, não como destino. Também convém não generalizar: um estudo de 2008 com dados populacionais dos EUA encontrou filhas primogênitas menos propensas que filhos primogênitos a morar com o pai (Dahl e Moretti, 2008). Os dois trabalhos medem coisas diferentes, a qualidade do vínculo relatada num caso e o arranjo familiar no outro, e não se anulam; o contraste só recomenda cautela.

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Conteúdo de caráter informativo — não substitui avaliação, diagnóstico ou atendimento por profissional de saúde mental.