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O Convite

Um jantar entre dois casais vizinhos expõe a rotina, a falta de admiração e a pergunta sobre quem o casal se tornou, em uma comédia com consultoria de Esther Perel.

Vladimir Melo · ·1 min de leitura

O Convite ajuda a pensar a conjugalidade pelo contraste entre dois momentos de uma relação. Joe e Angela estão casados há quase duas décadas; os vizinhos, Hawk e Piña, namoram há um ano. Cada casal funciona como espelho do outro, e o que a convivência longa deixou de questionar fica visível quando há alguém de fora para olhar.

Uma leitura possível é acompanhar o circuito em vez de procurar culpados. A insatisfação e a culpa que uma crítica brasileira vê nos anfitriões podem ser lidas como parte de uma dinâmica conjugal em que cada resposta de um sustenta a do outro. Mas a leitura não precisa parar no casal anfitrião nem no casal convidado: além de espelhos um do outro, os quatro formam, naquela noite, um sistema em si. À medida que uma crise se revela, outras vêm na sequência, uma alimentando a outra, e é assim que aparecem os padrões construídos ao longo da história de cada casal. É essa circularidade, mais que qualquer traço individual, que o filme permite observar.

Como a notícia sobre a consultoria de Esther Perel explica, a psicoterapeuta participou da construção do roteiro, e a pergunta que o filme deixa para a clínica vem daí: que relação este casal está sustentando hoje, e que outras ainda caberiam nele? Por ser uma comédia, o filme chega ao desconforto pelo riso, e serve a quem atende casais como ponto de partida para perguntar o que cada casal deixou de perguntar ao outro, tratando os personagens como retrato de um padrão, e não como casos clínicos.

Conceitos em cena

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Conteúdo de caráter informativo: não substitui avaliação, diagnóstico ou atendimento por profissional de saúde mental.

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