Externalização
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Na terapia narrativa de White e Epston, prática de linguagem que separa a pessoa do problema (em vez de "você é ansioso", fala-se em "a ansiedade tenta te convencer de..."), abrindo espaço para a pessoa se relacionar com o problema, em vez de ser definida por ele.
A pessoa não é o problema
White e Epston propuseram, em 1990, uma inversão de linguagem: em vez de tratar um traço como parte da identidade da pessoa ("ele é agressivo", "ela é depressiva"), a conversa passa a nomear o problema como algo separado, com quem a pessoa se relaciona: "a raiva", "a depressão". A mudança não é só estilística: desloca a pessoa de dentro do problema para uma posição de poder relacionar-se com ele.
Como uma conversa de externalização se constrói
O terapeuta convida a pessoa (ou a família) a dar nome ao problema, mapear sua influência na vida e nas relações, e identificar momentos em que a pessoa resistiu a ele ou agiu de outro modo, os chamados eventos extraordinários. Essas exceções, muitas vezes ignoradas por quem já se acostumou a se ver definido pelo problema, viram o material para reescrever uma história diferente sobre si.
Não é minimizar, é reposicionar
Externalizar não significa negar a gravidade de um sofrimento nem tirar a responsabilidade da pessoa sobre suas ações. É uma ferramenta de linguagem que evita que o problema se torne a identidade inteira de alguém, especialmente útil com crianças e em contextos de vergonha, onde a fusão entre pessoa e diagnóstico costuma travar qualquer mudança.
Conceitos vizinhos
Fontes
- White, Michael; Epston, David. Narrative Means to Therapeutic Ends , 1990.
Como citar este verbete
PRÁTICAS SISTÊMICAS. Externalização. Práticas Sistêmicas, [S. l.], 10 ago. 2026. Disponível em: https://praticassistemicas.psc.br/glossario/externalizacao. Acesso em: 2 out. 2026.
