Supermercado de identidades
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Metáfora de Zygmunt Bauman para a modernidade líquida: preferências, estilos de vida e papéis, inclusive familiares, passam a ser escolhidos e descartados como mercadorias, sob a pressão de uma performance social constantemente exposta e comparada.
A identidade como mercadoria
Em Modernidade líquida (2001), Bauman descreve a sociedade contemporânea como um grande supermercado de identidades: preferências, habilidades, estilos de vida e vínculos deixam de ser heranças fixas e passam a ser escolhas: itens que se compram, experimentam e trocam por outros quando não satisfazem mais. A liberdade de escolher quem ser tem como contrapartida a instabilidade de nunca estar definitivamente pronto.
Da identidade à parentalidade
A mesma lógica de consumo alcança a vida familiar: modelos de como criar, alimentar, educar e expor (ou não) os filhos nas redes sociais circulam como produtos entre os quais os pais escolhem, e pelos quais são julgados. A parentalidade passa a ser também performada e comparada, não apenas vivida.
Na clínica
Pais e casais que relatam decepção por não corresponder a uma imagem idealizada de família (a gravidez "luminosa", a rotina "descolada" com o bebê) frequentemente estão confrontando o hiato entre a experiência real e um modelo de identidade familiar oferecido como pronto para consumo. Nomear essa pressão externa costuma aliviar a autocrítica do casal.
Onde este conceito aparece
Conceitos vizinhos
Fontes
- Bauman, Zygmunt. Modernidade líquida (P. Dentzien, Trad.). Jorge Zahar Editor , 2001.
Como citar este verbete
PRÁTICAS SISTÊMICAS. Supermercado de identidades. Práticas Sistêmicas, [S. l.], 19 ago. 2026. Disponível em: https://praticassistemicas.psc.br/glossario/supermercado-de-identidades. Acesso em: 6 out. 2026.
