Triangulação
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Na teoria dos sistemas familiares de Bowen, mecanismo pelo qual uma relação de dois membros, sob tensão, recruta um terceiro para reduzir a ansiedade da díade (quase sempre um filho, quando o casal está em jogo).
Como o mecanismo opera
Bowen observou que um sistema emocional formado por duas pessoas tende à instabilidade sob pressão: as duas se sentem mais próximas quando excluem um terceiro, e mais tensas quando ficam sozinhas com o conflito. Sob estresse, a dupla desloca parte da ansiedade para essa terceira posição, formando um triângulo. Qual dos três membros fica "de fora" a cada momento pode variar, mas a estrutura de três lugares tende a se manter estável mesmo quando os ocupantes mudam.
O filho como terceiro vértice
No sistema familiar, o filho é o terceiro mais recorrente: absorve, no lugar dos pais, uma tensão conjugal que o casal não processa diretamente entre si. A criança pode virar mensageira (portadora de comunicações que os pais evitam trocar de frente), mediadora (cuja presença ou comportamento distrai o casal do próprio conflito) ou sintoma (cujo mal-estar reorganiza temporariamente a tensão do sistema em torno do cuidado com ela).
Na clínica
Reconhecer um triângulo em curso é o primeiro passo para devolvê-lo a dois vértices: ajudar o casal a processar a tensão entre si, sem intermediação, libera o terceiro (frequentemente um filho) da função que nunca lhe cabia.
Conceitos vizinhos
Fontes
- Bowen, Murray. Family Therapy in Clinical Practice , 1978.
Como citar este verbete
PRÁTICAS SISTÊMICAS. Triangulação. Práticas Sistêmicas, [S. l.], 10 ago. 2026. Disponível em: https://praticassistemicas.psc.br/glossario/triangulacao. Acesso em: 2 out. 2026.
