Família de origem
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Sistema familiar no qual o sujeito foi socializado e do qual internalizou regras, papéis e modelos de relação. Em contraste com a família atual, constituída na vida adulta, o par organiza a análise da transmissão entre gerações e o trabalho de diferenciação.
É na família de origem que se constituem os primeiros modelos de vínculo, os padrões de comunicação e as regras (explícitas e tácitas) sobre cuidado, autoridade, afeto e conflito. Esses conteúdos não permanecem circunscritos ao sistema que os produziu: são internalizados e reeditados nos vínculos que o sujeito estabelece depois.
Função clínica da distinção
O par família de origem / família atual permite ler o conflito conjugal e parental não como incompatibilidade de traços individuais, mas como confronto entre dois conjuntos de regras e expectativas, cada um com história e coerência próprias. A pergunta clínica desloca-se da atribuição de razão para a genealogia dos modelos em jogo.
Diferenciação e trabalho com a família de origem
Em Bowen, a família de origem é objeto direto de intervenção: o processo de diferenciação do self supõe que o sujeito retome contato com o sistema emocional de origem sem fusão nem corte, sustentando posição própria diante dele. Daí a expressão consagrada trabalho com a família de origem, que designa tanto o exame do sistema quanto a reaproximação deliberada a ele.
Nota terminológica
O par clássico, oriundo da sociologia da família, opõe família de orientação a família de procriação. Na literatura clínica de língua portuguesa consolidaram-se família de origem e família atual, esta última de menor marcação normativa, por não pressupor descendência como critério de constituição.
Onde este conceito aparece
Conceitos vizinhos
Fontes
- Bowen, M.. Family Therapy in Clinical Practice , 1978.
Como citar este verbete
PRÁTICAS SISTÊMICAS. Família de origem. Práticas Sistêmicas, [S. l.], 1 ago. 2026. Disponível em: https://praticassistemicas.psc.br/glossario/familia-de-origem. Acesso em: 2 out. 2026.
